Quedas: O Perigo Silencioso da Tontura.

Entenda por que a tontura é um dos principais fatores de risco para quedas e como a avaliação otoneurológica preventiva pode proteger sua independência em qualquer idade.

O que está em jogo?

As quedas são uma das principais causas de lesões graves, hospitalizações e perda de independência, especialmente entre pessoas mais velhas. Nos Estados Unidos, mais de 1 em cada 4 adultos acima de 65 anos cai a cada ano — e cerca de 28% relatam ter caído no último ano. No Brasil, estudos apontam prevalência de quedas em torno de 34,8% entre idosos, com maior incidência em mulheres (40,1%), e fratura como consequência em cerca de 12% dos casos.

Por que a tontura é um fator de risco tão importante?

O labirinto (sistema vestibular) é o principal responsável pelo nosso senso de equilíbrio. Quando ele falha, o cérebro recebe informações incorretas sobre a posição do corpo — e o resultado é instabilidade, desequilíbrio e queda.

A ciência é clara: uma revisão sistemática com meta-análise concluiu que a tontura é um preditor independente de quedas futuras em adultos mais velhos. Estudos mostram que problemas de equilíbrio e tontura aumentam o risco de cair em 50% a 80%, e que pessoas com disfunção vestibular têm risco até 12 vezes maior de queda quando há tontura associada.

O perigo silencioso

O que torna as quedas tão perigosas é o silêncio: menos da metade das pessoas que caem conta ao médico. Além disso, quem cai uma vez tem o dobro de chance de cair novamente — cada queda aumenta o risco da próxima.

E o risco não é exclusivo dos idosos. Jovens e adultos de meia-idade também podem apresentar disfunção vestibular — estima-se que cerca de 35% dos adultos acima de 40 anos tenham algum grau de disfunção vestibular nos Estados Unidos. Tontura ao levantar, ao virar a cabeça, ao andar em ambientes movimentados ou no escuro são sinais que merecem investigação em qualquer idade.

Como prevenir quedas?

A prevenção começa pela identificação dos fatores de risco. Os principais incluem: histórico de quedas, alterações de equilíbrio e marcha, fraqueza muscular, problemas visuais, uso de múltiplas medicações (polifarmácia), tontura e hipotensão postural.

A avaliação otoneurológica é o ponto de partida para quem sente desequilíbrio: ela investiga a função do labirinto, diferencia causas vestibulares de outras origens (neurológicas, cardiovasculares, medicamentosas) e orienta o tratamento. Entre as ferramentas mais eficazes está a reabilitação vestibular, que ensina o cérebro a compensar o déficit de equilíbrio por meio de exercícios específicos — comprovadamente eficaz na redução do risco de quedas.

Quando procurar um otoneurologista?

Se você ou alguém próximo apresenta tontura, desequilíbrio, sensação de instabilidade ou já sofreu uma queda, procure avaliação otoneurológica preventiva. Cair não é “normal” em nenhuma idade — e a maioria das quedas pode ser evitada.

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