A otite média com efusão (secretora) ocorre quando a tuba auditiva não funciona corretamente, gerando um vácuo que atrai líquido para dentro da orelha média. Diferente da otite aguda, aqui não há infecção bacteriana ativa com pus, mas sim um fluido estéril que impede a vibração do tímpano.
O Procedimento
A cirurgia de colocação de tubo de ventilação (miringotomia) consiste em realizar uma pequena incisão na membrana timpânica sob visão microscópica para aspirar o líquido acumulado (que pode ter consistência de “cola”). Em seguida, um minúsculo dreno de material biocompatível (o tubo de ventilação ou “carretel”) é inserido nessa abertura. O procedimento é rápido, realizado sob anestesia geral em crianças para garantir total imobilidade e segurança, durando cerca de 15 a 20 minutos.
Benefícios
O benefício imediato é a restauração da audição condutiva. Ao permitir que o ar entre novamente na orelha média, o tímpano volta a vibrar normalmente. Isso reflete na melhora da atenção, do desempenho escolar e na correção de atrasos de fala. Além disso, o tubo atua como uma “tuba auditiva artificial”, prevenindo a formação de novos líquidos e reduzindo drasticamente a frequência de otites agudas recorrentes.
Indicações
É indicado quando o líquido persiste por mais de 3 meses apesar do tratamento clínico, ou quando há perda auditiva documentada superior a 25-30 dB que prejudica o desenvolvimento. Também é recomendado para crianças com infecções de ouvido recorrentes (mais de 3 episódios em 6 meses) ou alterações estruturais no tímpano causadas pela pressão negativa crônica.
Pré-operatório
O paciente deve realizar exames de sangue pré-operatórios e uma avaliação cardiológica (risco cirúrgico). É necessário jejum absoluto de 8 horas (inclusive água). Em crianças, é importante a preparação psicológica, explicando de forma lúdica que o médico irá “limpar o ouvidinho” para que ela ouça melhor. A criança deve estar sem sintomas de gripe ou resfriado no dia da cirurgia.
Pós-operatório
A recuperação é muito rápida e a criança costuma ter alta poucas horas após o procedimento. A principal recomendação é evitar rigorosamente a entrada de água nos ouvidos durante o banho ou natação, utilizando protetores de silicone moldáveis ou faixas de neoprene. O tubo costuma ser expelido naturalmente pelo tímpano após 6 a 12 meses, e a membrana cicatriza sozinha na grande maioria dos casos.
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