Entenda o PAC: Por que ouvir bem não é o mesmo que entender?

Muitas pessoas chegam ao consultório com a queixa: “Doutor, eu ouço os sons, mas as palavras parecem emboladas”. Quando a audiometria está normal, o foco deve ser o PAC (Processamento Auditivo Central).

O Protocolo de Avaliação

O diagnóstico do PAC é realizado por um fonoaudiólogo especializado em uma cabine acústica tratada. O paciente utiliza fones de ouvido e é submetido a uma bateria de testes que desafiam o cérebro: ouvir palavras com ruído de fundo (fala no ruído), identificar sons diferentes enviados a cada orelha simultaneamente (testes dicóticos) e detectar pequenas variações de tempo entre os sons (processamento temporal). É um exame que dura cerca de 40 a 60 minutos e exige muita concentração.

Benefícios

O maior benefício do diagnóstico e do posterior treinamento é a melhora drástica na compreensão em ambientes desafiadores. O paciente passa a ter mais facilidade para manter conversas em restaurantes ou reuniões, reduz o esforço auditivo (e consequentemente o cansaço e a dor de cabeça ao final do dia) e melhora significativamente a memória de trabalho e a atenção seletiva, impactando diretamente na performance profissional e escolar.

Indicações

Indicado para crianças com dificuldades de aprendizado, trocas na fala ou atraso escolar; adultos que sentem que “ouvem mas não entendem” e se sentem exaustos em ambientes sociais; e idosos que, mesmo usando aparelhos auditivos, ainda apresentam dificuldades de compreensão. Também é recomendado para pessoas com histórico de otites frequentes na infância, que podem ter privado o cérebro de estímulos sonoros claros na fase de desenvolvimento.

Preparação para o Teste

O paciente deve estar bem descansado e não ter realizado atividades com exposição a ruídos intensos (shows, fábricas) nas 24 horas anteriores. É obrigatório ter realizado uma audiometria tonal e vocal e uma imitanciometria recentemente (menos de 3 meses) para garantir que não existam cerúmen, líquidos ou perdas auditivas periféricas que interfiram na avaliação do cérebro.

Treinamento Auditivo

Após o diagnóstico, inicia-se o Treinamento Auditivo em Cabine. São sessões semanais (geralmente 8 a 12 sessões) onde o cérebro é desafiado com exercícios sonoros específicos e controlados por software. O “pós” envolve a aplicação de estratégias de comunicação no dia a dia, como buscar o contato visual ao falar, melhorar a acústica dos ambientes frequentados e realizar exercícios domiciliares para manter as vias auditivas estimuladas.

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